Filler 2 – Assassino
O céu em um azul escarlate olhava a terra que eu sua matinal escuridão esforçava-se para que escondida sobre as sombras não fosse vista.
As ruas de kirigakure eram matinalmente vazias e pouco movimentadas, mas então porque aqueles dois homens estavam sentados em meio ao insuportável frio daquela sombria manhã?
Datte ainda desconfortável olhava continuamente os olhos de seu seqüestrador que igualmente observava-o mas este com certa perspicácia no olhar dirigia-o para o céu, nenhuma palavra se ouviu durando muito tempo, ambos pareciam emudecidos no tenso clima.
- Er... E então? Eu já posso saber seu nome? Ou o senhor vai me amarrar, seqüestrar e pedir dinheiro para o resgate? O ninja adolescente sorria enquanto tentava quebrar o tenebroso silencio.
- Não necessariamente garoto, até porque seus pais não iriam o querer de volta... Pelo que sei seu pai não é muito amoroso...
Datte mudou drasticamente de postura quando recebeu o duro comentário, a voz do desconhecido era com se viesse de um abismo, profunda e sonora, intimidante.
- C-Como sabe do que acontece na minha casa! Você não sabe de nada! O garoto levantava-se tentando ao máximo mostrar-se ofendido, sabia que o homem falava a verdade mas de qualquer forma odiava admitir.
- Por favor, pare com este teatro ok? Eu sei mais do que você até, agora sente-se criança, tenho uma proposta a você...
O garoto sentou-se novamente no banco de ferro e sondou a face alheia, era extremamente frustrante olhar o rosto de alguém sem poder realmente ver este, o que ocorria era que o tal misterioso homem continha na face uma mascara de ferro frio que ia até a altura dos olhos deixando visível estes e os cabelos, a máscara também exibia entalhada na altura do nariz o símbolo de kirigakure.
- Proposta... Não estou gostando disto! Eu - Eu quero ir embora! Uma frustrada tentativa de escapar foi destruída em um simples olhar inquisidor do homem.
- O que é isto? Eu estou sendo seqüestrado?
- Quer ir? Então vá, mas não volte, não o darei outra chance...
O garoto por um breve minuto se sentiu tentado a ir, mas a curiosidade e as palavras anteriores daquele estranho ninja o haviam pegado.
- Ok, diga logo, mas não se demore!
- É simples, você odeia seu pai, eu odeio seu pai, quero treinar-lhe para um dia então você exterminar-lo, apenas. As feições escondidas sob a máscara escondiam o extremo prazer em dizer aquelas palavras.
- M-Matar... Meu pai? Nunca! E, aliás, porque você não faz isso sozinho? As palavras do homem pareceram pedras sendo atiradas em suas costas, esta certo que Datte nunca gostou tanto de seu pai, mas matá-lo? Será que tinha coragem para isto?
-Eu até poderia, mas sei que você também quer, e eu precisaria de ajuda para pega-lo sendo seu pai um tão grande ninja... Você é a pessoa perfeita para isto!
Datte atordoado e grogue com as informações levantava-se cambaleando e horrorizado olhava ao homem, era impossível que ele pudesse concordar... Sem nem mesmo pensar pôs-se a correr pelas ruas pavimentadas de pedras, corria sem motivo aparente, mas o fantasma da possível morte de seu pai o assombrava mais que tudo.
O garoto irrompeu pela porta de casa entre lufadas de ar, estava sem fôlego e profundamente atordoado, para seu azar esbarrou com seu pai que sob um olhar de desaprovação nada disse ignorando o contato com o filho, o homem se restabeleceu e logo continuara sua caminhada rumo à saída. Sua face era fria e sem emoções como se fosse a de uma estátua de mármore. Datte olhou para as costas do pai que se distanciava saindo pela porta quando rapidamente a proposta do misterioso ninja mascarado se fez tentadora... O garoto mordeu o lábio inferior com o dente e voltou a se movimentar indo ao seu quarto, lá deitou-se e rapidamente adormeceu, ainda era de manhã, mas a técnica que seu pai fizera na noite passada o havia desgastado muito.
“matar meu pai...” Este foi seu ultimo pensamento antes que a escuridão o tomasse.
- E então, o garoto aceitou? Um homem coberto por uma túnica negra aparecia ao lado do misterioso homem que conversava com Datte.
- Ainda não, mas creio que irá, me de até amanha e ele já será meu pupilo. Um sorriso ressoou baixo por trás da mascara.
- ótimo, imagine só, Uusaki Ryokaru! Um importante membro das ações táticas secretas de kirigakure sendo assassinado pelo próprio filho! Isto iria desestabilizar totalmente as defesas especiais da vila... Será mais fácil, muito mais fácil, não acha?-O de manto negro jogava-se no banco ao lado do mascarado posicionando-se de forma preguiçosa.
- Com certeza... O único problema é a força... Não sei se conseguirei treinar o garoto à tempo para “aquilo” O homem da mascara parecia tenso na presença do outro.
- Faça o seu melhor, torne-o muito forte, e talvez se junte a nós, caso contrário...
- Entendido senhor!
- Eu quero que traga-o a mim... Você me disse isto agora, fiquei preocupado... Traga-me o garoto shounan!
- Entendido... Senhor.
O dia seguinte estava diferente, talvez mais escuro ou mais frio... Deveria ser mais pelo fato de Datte ter chegado duas horas mais cedo naquele local, lá estava ele; Uusaki Datte, sentado em um banco de praça, no mesmo do dia anterior na verdade. Esperando...
Quieto e silencioso, o garoto pensava na vida, estava esperando que o homem mascarado do dia anterior tivesse mentindo sobre a única chance, já havia tomado sua decisão, ele demorava para aparecer, a espera era torturante e a cada segundo Datte convencia-se mais a desistir do de sua decisão, fechou bem os olhos e por um segundo tentou se imaginar matando o pai. Abriu-os novamente e se levantou.
- Bom, ele não vem, você é mesmo um idiota Dat... uma presença dominava o ambiente de tal marcante forma que fez impediu Datte de completar seu devaneio.
- Yo! Uma figura mascarada coberta por um sobretudo verde-musgo apareceu em meio à névoa de manha, seus olho cor-de-âmbar brilhavam refletindo a pouca luminosidade daquela hora. – Manhã fria, não? Nossa! Você está tenso! Acalme-se garoto- Seus olhos se fecharam um pouco simbolizando um sorriso por trás da mascara.
- Eu... Eu aceito senhor, por favor, me ensine como matar meu pai, eu dou qualquer coisa em troca!- Datte juntava as mãos abertas e abaixava a cabeça em menção se súplica.
- Não quero qualquer coisa em troca, só quero sua lealdade e determinação, vamos aprender coisas muito avançadas... Não será tão fácil.- A voz do homem havia mudado, estava mais desafiante...
- Ótimo! Eu estou preparado! Datte sorriu meio inseguro, ainda não concordava muito com aquilo.
- Certo, prepare-se e me siga. O homem se virou e sem nem mesmo esperar o garoto, começou a correr tão rapidamente que demorara uma eternidade para que Datte conseguisse alcançá-lo, percorreram meia-hora pela vila até chegarem a um edifício avermelhado com algumas placas na frente, a porta era larga e alta podendo-se ver claramente seu interior, ambos pararam na entrada e ficaram olhando para dentro.
- Dango? Você me trouxe para comer dangos? Como vou conseguir aquilo comendo dangos? Datte sorria meio decepcionado.
Seu novo sensei colocou a mão na face fechando os olhos.
- Cale a boca e entre logo. E começou a caminhar rumo a o interior.
- ei ei ei! Você poderia me responder? Ao menos uma vez! Hey, cêe ta me ouvindo? Datte tentava continuamente chamar a atenção do homem que ignorava-o.
Ambos andaram alguns minutos, até este tempo tudo bem, estavam dentro de uma loja comum; pessoas comendo, mesas e bancos, garçonetes servindo, crianças brincando... Até o ponto em que chegando ao fim da loja o sensei parou bruscamente fazendo Datte que caminhava distraído esbarrar.
- o que? Chagamos ao fim da loja! Como quer comer no fim da loja? Datte dizia carrancudo.
- Você pode calar sua boca? Ou serei forçado a estripá-lo aqui mesmo. – O homem virou rapidamente mostrando uma frieza monstruosa nos olhos. - Entre. – ele apontou para a porta. – Vamos ver se realmente mereces o esforço que terei contigo.
Date olhou, e se concentrou na porta; Sabia que tinha que entrar e conservava um péssimo pressentimento sobre.
A porta emanava algo estranho... Chackra? Não... Coisa pior, maldade talvez...
Sua mão estava suada, o mundo inteiro ao redor havia desaparecido; tudo tudo parecia estar escuro. Datte caminhava em direção à porta e parecia mesmo que esta o chamava.
Aflição, ódio e tentação eram o que o moviam, não sabia bem o porquê, mas eraaaa tudo vinha átona ali.
Os seus dedos tocaram a maçaneta e como se fossem fogo e gelo logo a soltaram.
- Eu... Eu não posso, estou com medo! Olhava para o homem da mascara que mostrava tamanha rigidez ao ignorar o comentário do garoto que o fez novamente tentar abrir a porta.
Seus dedos tocaram a maçaneta novamente e ainda queimaram em fogo, o ninja agüentou a dor e virou-a, a aporta cedeu fazendo um rangido. O interior estava escuro e som algum saia dali a não ser por uma profunda respiração em meio ao escuro.
- Entre e prove quem você é através do que você não é. Datte mal ouvia as palavras e começara a caminhar em direção àquela escuridão, imediatamente uma cálida brisa envolveu o garoto que sem enxergar nada apenas ouviu o bater da porta atrás de si.
- mas o que... Ele virou-se assustado mas nem ao menos conseguiu distinguir onde estava aporta, a respiração profunda continuava, uma ofuscante luz se acendeu de repente fazendo os olhos do jovem ninja lagrimarem e arderem, este em reação fechou os olhos e pôs a mão na frente.
- Arrgh...
Um silencio apaziguador se fez e por um momento Datte se imaginou em casa longe de toda aquela confusão... Tirando sua mão uma avassaladora dor se concentrou em seus olhos. Custaram alguns segundos para que pode o garoto pudesse enxergar, mas custou mais tempo ainda para Datte acreditar no que via;
Já não estava na sala, na verdade não estava nem em kirigakure, uma planície amena e ventilada o envolvia tendo montanhas e nuvens até onde a vista alcançava no horizonte, mas o que chamou a atenção do ninja não foi apenas isto...
À sua frente uma mulher nua e judiada jazia inerte no chão, sua carne pútrida à muito começara seu processo de decomposição, em sua volta um liquido arroxeado umedecia um pequeno perímetro escorrendo de buracos no cadáver, tinha suas costelas amostra em uma negridão característica. Sua face apresentava uma leve corrosão tendo o osso do quexo amostra.
- Nãaaao! Mãae! Raaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaagh! Datte ajoelhava-se próximo ao corpo da mãe que descansava em paz com os olhos fechados, o cheiro de carne pútrida era forte e tentadoramente repulsivo, mesmo assim Datte aproximava-se do corpo com tamanha incredibilidade que nem mesmo lágrimas rolavam de seus olhos, estes em um vermelho penoso mostravam as intensas e incontroláveis emoções.
O garoto só pôde acreditar quando com as mãos nos cabelos do cadáver pôde sentir que realmente era ela. Sua face pulsava em contrações incontroláveis, sua boca abria-se em um grito silencioso enquanto sua respiração acelerava, suas mãos puxavam os cabelos. Seu corpo esquentava em sofrimento. Os espasmos e contrações continuaram violentamente fazendo o rosto de Datte contrair-se em uma transformação monstruosa de um homem derrotado.
Os olhos do cadáver se abriram e em uma espécie de susto direcionaram-se ao ninja, este em um misto de repulsa e de alívio pulara para trás observando o abominável fato.
O corpo outrora morto ganhava vida levantando-se e recompondo-se como se tivesse voltando no tempo tendo a reconstituição de carne e a recriação de veias, sua face que estava seca e pálida retomava a familiar forma arredondada e corada. Em segundos estava em sua frente uma bela mulher com cheios seios bem conservada e com perfeitas curvas femininas.
Ela falava em uma voz distante, mas audível.
- Olá, Datte.
O ninja em resposta apenas observava atônito a impossível transformação.
- Eu sou a aprova do seu futuro meu filho. E você? Veio contemplar meu assassino?
- Assassino? Q-Que assassino? Quem Fez isto com você? Fale mamãe e eu o mato com minhas próprias mãos! Date sorria enquanto se aproximava para abraçar a mãe, lágrimas caiam de seus olhos com tamanha alegria, mal podia prever o que estava por vir.
- Eu sou sua mãe e estou aqui para fazê-lo pagar pelos seus pecados, meu filho.
- Não, eu na fiz nada mamãe! Eu saí mais cedo hoje de manhã, mas fora isso nada. O garoto começava a ficar confuso, será que ela sabia sobre o que pretendia?
- Você! Uusaki Datte! Matou seus amigos e parentes!
- Não! Sua felicidade era quebrada com tal facilidade que fez a face do ninja aplacar-se em surpresa.
- Você! Uusaki Datte! Abusou de mim, sua mãe!
- Não mãe! Eu não queria! Ele enrolava-se e sua palavrs sndo tomao pelo ódio.
- Você!
- Pare! O garoto frente à vergonha e à culpa, absorto nas palavras alheias e saturado pelo ódio investia contra a mãe. Fora simplesmente horrível quando sua kunai perfurou o estômago da mulher, foi como se estivesse cortando um pedaço de sua alma...
A voz falhava e era visível sua dor, mas apenas a do ferimento, ela estava tão indiferente ao filho quanto o pai.
- Você! Uusaki Datte! é meu assassino...
O garoto olhava o rosto da mãe que estava simplesmente sereno, mas cheio de sofrimento. Levantou a cabeça e viu à sua frente um grande espelho, neste olhou mais claramente e reparou o que havia feito; Ele matara sua mãe por um simples excesso de raiva...
-Por quê? Lágrimas caiam de seus olhos e rolavam por suas bochechas.
- Eu vou lhe dizer meu garoto; Estávamos em um dia qualquer, adia quente aliás. Foi então que seu pai entrou na cozinha enquanto nós conversávamos...
Ele insinuou o quanto você era criança e o quanto era fraco. Você ia matá-lo por trás e eu o impedi colocando-me na frente, você poderia ter parado... Eu vi a fúria em seus olhos, mas você não parou, simplesmente enfiou sua lâmina em mim como o fez agora e jogou-me no chão indo atrás de seu pai...
- Mas... Se eu lhe matei, como estamos aqui agora? C-como mãe? Suas lágrimas o faziam engasgar no que dizia.
- Aqui, meu filho, é o mundo dos mortos. Em um processo de retrocesso o corpo da mulher voltava ao que era antes apodrecendo em uma incrível velocidade, o ninja em um grito jogava-o de lado e se afastava rastejando.
Ele ficara lá deitado pensando, as palavras da mãe, seu pai e o que ele sempre temia..
Sua cabeça estava abaixada. Seu coração havia se acalmado, agora ele entendia. Tudo fazia mais sentido para ele, de certa forma tudo fazia sentido, tudo o que o misterioso sensei disse faiscavam em sua mente.
Ele levantava-se apertando bem forte a kunai na mão. Ele olhou em volta e apertando os olhos desejou que todo aquele teatro sumisse, em um piscar de olhos tudo voltou ao normal e em sua frente estava o misterioso sensei com os braços cruzados. Ambos estavam em uma minúscula salinha de guardar vassouras, tinha 3 ou 2 metros quadrados tendo espaço apenas para os dois ninjas.
- Ee então, você foi incrível! Olha, sinceramente nunca ninguém voltou tão calmo deste jutsu.
Datte olhava-o sereno, todo o ódio e a raiva já tinha passado restando apenas a serenidade ali naquele corpo.
- Aquilo tudo, foi uma ilusão não e?
- Certamente, mas...
- Eu sei, eu entendi muito bem como funciona. O genjutsu entrou na minha mente e materializou algo que eu sabia que iria acontecer, não é?
- Ótima interpretação, sua descrição foi muito precisa... E então, tomou sua decisão?
Datte retrucou o olhar do sensei sombriamente.
- Nunca tive tanta certeza senhor, eu vou matá-lo e proteger minha família de mim mesmo... Meu pai queria o ninja perfeito... Ele terá o assassino perfeito!
Ambos estavam em uma mesa, Datte comia alguns dangos se lembrando da experiência que teve algumas horas atrás enquanto o seu sensei lia uma revista sobre tendências da moda-de-verão.
Datte olhou para o homem meio curioso, sua boca estava cheia e suas bochechas inchadas o davam uma cara hilária.
- O que foi? Só estou lendo o que usar neste verão! O homem falava defendendo-se.
Datte esforçava-se e de uma vez só engolia os dangos.
- Afinal, qual seu nome?
- Meu nome...
O homem o observou meio indeciso, não sabia se falava ou não, voltou os olhos para a revista e levantou-os novamente.
- É Uusaki Shounan.
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