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 [Filler 14] Morno

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Brufan

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MensagemAssunto: [Filler 14] Morno   Sab Nov 27 2010, 19:23

Spoiler:
 



Morno


Nunca imaginara que houvesse tantas fechaduras na sua própria casa. Tentara abrir tudo e mais alguma coisa, desde armários a gavetas, caixas de música ao cofre guardado no quarto dos pais, com a pequena chave que encontrara na mão fria e morta da avó.
Caiu na cama com um baque surdo, frustrada pela falta de resultados que a sua busca causara. Fitou o pequeno objecto, perguntando-se seriamente se não devia lançá-la pela janela.
— Pronta para desistires?
Apertou o metal contra a palma da mão, antes de se levantar e sair disparada do quarto. Ultrapassou o limiar da porta de entrada, entrando na liberdade exterior.
— Não fazes ideia do que estás a fazer. — constatou. Aruko dobrou a esquina em passo rápido — Mesmo com as minhas pistas não descobres… Perdeste qualidades, nee-chan.
Virou-se num salto, dando de caras com a rua vazia. Rodou sobre si mesma, os seus olhos lambendo a paisagem desértica. Fechou os olhos, a maldita dor de cabeça a pressionar-lhe novamente o crânio. Odiava a merda da dor, odiava a rapariga que se materializava de cinco em cinco segundos, odiava ter que treinar no meio da chuva e odiava, definitivamente, ter que andar de um lado para o outro por causa da merda da chave guardada no bolso.
Virou à direita, encontrando a modesta moradia que compunha quase toda a sua infância. Retirou uma segunda chave da algibeira e destrancou a porta, não sendo atacada pela habitual nuvem de alfazema. Deixando a paisagem outonal para trás, mergulhou no seu refúgio.

*************
O som de alguém a bater-lhe à porta, obrigou-a a abrir os olhos. Fitou-o longamente, à espera que o som voltasse a surgir. Também ele decidiu dedicar toda a sua atenção à entrada composta por madeira gasta.
Toc toc toc. A respiração acelerou no segundo em que ele lhe tapou a boa, impedindo-a de falar. Como é que alguém a tinha sequer descoberto?! Se, quem quer que fosse, soubesse do que lhe aconteceria se ali entrasse, nem sequer tinha pensado em aproximar-se. Novo batimento na porta, a mão dele desprendeu-se do seu rosto, assim que ele se levantou.
Tinha pena de quem quer que estivesse do outro lado da porta. Queria fechar os olhos. Não queria vê-lo derramar uma gota de sangue anónimo, mas cada passo em frente tomado por ele, os seus olhos abriam-se mais, em pavorosa expectativa. Viu-o tocar na maçaneta, os seus olhos desprovidos de qualquer emoção. Retirou uma kunai do bolso onde armazenava as suas armas.
Olhou de relance para a parede quase nua, encontrando o olhar doce de uma mulher de longo cabelo loiro, por trás de uma moldura empoeirada.
A porta abriu-se, e o estranho deu um único grito de dor e choque, quando o metal afiado lhe trespassou o abdómen, alojando-se entre as suas entranhas. Fechou os olhos. Que a mãe a perdoasse por tudo aquilo.

*************

Estava a ficar psicótica. Olhou fixamente para a prateleira da loiça, comparando-a com a imagem mental que o seu cérebro lhe oferecia. Os pratos nunca estavam do lado esquerdo porque a avó sempre teimara que isso dava azar, sabia lá Deus porquê. No entanto, ali estavam ele, empilhados na perfeição no lado azarento.
Era a única que entrava ali regularmente, mantendo a casa impecável, e podia jurar que não os arrumara daquela forma.
— Alguém entrou aqui.
Pegou na kunai guardada na sua bolsa, pronta para investir contra a rapariga atrás de si, mas a sua acção parou a meio. Pela primeira vez desde que a conhecera, nunca a vira séria, mas ali estava ela; o seu sorriso habitual perdido algures. Seguiu-a, quando a estranha saiu da cozinha e entrou na divisão seguinte. E na outra. E na outra. Assim que se assegurou que estavam sozinhas, empurrou a Aruko violentamente contra uma parede, fazendo soltar um grito de dor e surpresa.
— Pensa! — ordenou, os seus olhos desprovidos de emoção, como se ela fosse apenas um corpo sem vida.
— Em quê?! — um misto de raiva e frustração consumia-a lentamente e aquela rapariga, definitivamente, não estava a ajudar.
Viu-a baixar a cabeça, cansada, mas a pressão das mãos dela nos seus ombros não diminuiu — Eu mostrei-te tudo — sussurrou, mais como se pensasse em voz alta do que com o objectivo da outra ouvir o que quer que fosse — eu mostrei-te tudo, mas tu não vês. Estás cega. Cega.
Estava prestes a contestar, quando a rapariga se afastou subitamente dela, encostando-se com força contra a parede contrária do corredor estreito. Os olhares cruzaram-se, o negro a transmitir-lhe tudo, e ao mesmo tempo nada. Aquilo era frustrante.
— Alguém entrou aqui. — repetiu Aruko, assim que a sua mente lhe desviou a atenção para a cozinha vazia.
— Sim.
— A minha mãe não entra aqui e o meu pai tem trabalhado em casa toda a semana. — continuou, recebendo um aceno de incentivo por parte da sua ouvinte — Mas quem é que iria entrar aqui e não levar nada?
Não obteve resposta. — Talvez não tivessem podido levar nada... Talvez não houvesse nada para levar… — falava cada vez mais devagar. A dor de cabeça parecia desaparecer à medida que a sua perplexidade aumentava. Levou instintivamente a mão ao bolso e retirou a pequena chave que a apoquentara nos últimos tempos, observando-a. O silêncio gritava estridentemente aos seus ouvidos. Levantou o olhar, encontrando de novo os olhos negros, desta vez, acompanhados por um sorriso rasgado.
— Morno, Aruko-chan. Muito morno.
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L Mars

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MensagemAssunto: Re: [Filler 14] Morno   Dom Nov 28 2010, 12:31

Começo a ter algumas ideias em relação á rapariga mistério e á chave

Continua a escrever Brufan ^^ É sempre bom ver os teus fillers aqui no forum



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Brufan

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MensagemAssunto: Re: [Filler 14] Morno   Dom Nov 28 2010, 13:47

Mars escreveu:
Começo a ter algumas ideias em relação á rapariga mistério e á chave

Ter ideias é sempre bom
Será que tás certo...?

Obrigado^^
Vou tentar manter-me activa, afinal as aulas de matemática sempre servem pra alguma coisa xd
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[Filler 14] Morno

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