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 Filler 4 - Lapis Philosophorum

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Nome: Selim Puraido
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MensagemAssunto: Filler 4 - Lapis Philosophorum   Qui 11 Nov - 22:02

Segui o rapaz encapuçado pelo corredor. Já me afeiçoara a ele, não sabia porquê, na verdade. Não era racional, apenas gostava dele.
- Vais voltar para Suna e não sais mais de casa até eu to dizer, entendido?
- Sim, mas.
- Não há mas, vai!

E com esta ordem surgi em Suna numa questão de pouco tempo. A noite estava escura como breu e não havia luz em casa. Entrei e acendi um pequeno candeeiro de óleo que tinha por hábito usar à noite. As outras luzes pareciam-me fortes e despropositadas.
Subi as escadas com a lâmpada na mão, até tropeçar em algo. Aproximei o candeeiro do que quer que estivesse no chão. Mãe?
Os seus olhos vagos olhavam-me impotentes, enquanto o último sopro de vida parecia sair dos seus lábios. Não podia estar a acontecer. Não havia explicação lógica, tinha-a visto bem, antes de ser “raptado”, mas vê-la morta, assim. Era demais.
O seu olhar gélido travou o grito que já soava na minha mente e estava prestes a sair dos meus lábios. O ar tornou-se alaranjado e a luz surgiu do nada, junta com as partículas negras que acompanhavam Puraido para onde quer que fosse. Ouvi-o correr pelas escadas acima à minha procura mas, como eu, parou à vista da mulher ferida.
- Shimatta!
Aproximou-se dela, enquanto eu o fitava imóvel, impotente, vendo o meu querido amigo quase desvanecer-se perante os meus olhos, de tão curvado que estava sobre o corpo imóvel,
Qualquer ninjutsu que estivesse a tentar fazer, parou, como resignado à derrota, enquanto me olhava nos olhos, com o Geass a brilhar.
- Desculpa, Selim.
Saí para a rua incrédulo, enquanto a tão rara chuva que por vezes banhava Suna me caía sobre a cara. Não podia ser, não podia perder assim o que tinha ganho com tanto esforço. O rapaz encapuzado surgiu atrás de mim, colocando a sua pequena mão sobre o meu ombro.
- Selim, ela não está…
“a respirar.“, completou a minha mente.
Abracei-o infantilmente, fazendo com que o capuz tombasse e os seus cabelos loiros emergissem pela primeira vez à minha frente. Tentei transmitir naquele abraço toda a dor que sentia, mas era impossível.

O mundo já não fazia sentido, a minha única vontade era destruir Suna e todo o planeta como pudesse, à imagem do lendário Pain. Mas eu não tinha esse poder. Nem nunca o teria. Puraido olhava o chão perplexo sobre o meu ombro. Também dentro dele despertava um turbilhão de sentimentos. Tinha sido separado da família à nascença, do seu pai, mãe e irmão.

O principal responsável era o homem que o abraçava. Eu. Mas não conseguia empurrar-me, não conseguia afastar-me. Em vez disso a minha dor atingiu-o também, como se fosse sua, e sentiu-se pesado e triste. Mas eu nada sabia de Puraido, nada.
- Selim.. eu..
O que quer que me quisesse dizer ficou-lhe preso na garganta, duas vezes. Fui eu quem falou.
- Puraido, existe algum deus por aí? – murmurei entre lágrimas.
O rapaz franziu o cenho incrédulo. Como poderia eu falar de um deus quando a única razão que ainda tinha para estar vivo desaparecia.
- Não sei Selim, porque me perguntas isso, precisamente agora?
- Porque agora sei o que é o inferno, por isso deve haver algum deus.
Três vultos surgiram atrás de mim, mas não me apercebi. Foi Puraido quem se libertou do abraço e se colocou à minha frente de braços abertos, como se me escudasse.
- Foram vocês? Foram vocês que a mataram? – perguntou ameaçadoramente.
- Não, nós só viemos completar o trabalho. – respondeu o do meio.
- Estou a ver. – respondeu fechando os olhos e reabrindo-os de seguida.
- Seiji Puraido ordena-vos, tu, da esquerda, mata o do centro ao meu três. Tu, do centro, mata o da direita ao meu três e tu, o da direita, mata o da esquerda ao meu três. – ordenou calmamente.
Perante os meus olhos húmidos, cada um dos ninjas desembainhou uma ninjaken e apontou-a ao pescoço do colega que estava ao lado, formando um triângulo.
- Três.
- Morte e glória! – bradaram, enquanto cada um deles enterrava a katana na traqueia do que estava à frente, caindo os três mortos, de seguida.
Assisti impotente enquanto os três corpos inertes caíam um após outro no chão. Depois senti-me ser transportado. Tenho a vaga consciência de que ele me conduziu a um quarto completamente branco, apenas com uma enorme cama, também branca, na qual me deitei, de olhos abertos, fitando a brancura envolvente.
Como pudera aquilo acontecer? Não havia muitos dias aquela pessoa parecera-me a mais importante do mundo e continuaria a ser. E por força do destino vi-me separado dela.
Aquela brancura envolvente, toda aquela falta de cor. Já pensara nela como o paraíso, o nada. Mas agora, só, sinceramente, nunca me tinha sentido tão mal. Porquê? Porque castigo da providência sofrera eu? Alguns dizem que pagamos pelo que fazemos na vida anterior. Nesse caso apenas posso pensar que fui deveras um ditador e um tirano.
Talvez fosse apenas um peão num jogo de deuses, talvez aquilo fizesse parte daquilo a que chamam a divina comédia. Mas se havia deuses capazes de achar comédia naquela situação, deviam ser assaz cruéis, de facto.
As lágrimas pararam de cair, e todo o mundo se pareceu resumir à solidão que me envolvia naquele quarto branco. Alguém bateu à porta. Não respondi, não valia a pena. Todas as palavras no dicionário eram insuficientes para descrever o que sentia.
- Selim. – sussurrou Puraido, entrando agora sem capuz – Não te posso deixar assim.
- Então acorda-me e diz-me que foi tudo um pesadelo – repliquei em voz baixa.
- Queres esquecer tudo? – propôs – é isso que vou fazer Selim, vamos esquecer tudo e começar de novo.
- Eu não posso deixar aqueles que adoro Puraido, não o posso esquecer.

Dirigiu-se a mim e com a mão levantou-me a fronte lentamente.
- Podes sim, é uma causa perdida, Selim.
- Pára – disse-lhe enquanto afastava a mão. – Não há causas perdidas.
E de rompante saí para o corredor. Mas havia uma espécie de barreira em volta daquela divisão branca.
E subitamente olhei um retrato, que contrastava com toda a brancura da sala, na parede oposta. Parecia uma cidade flutuando entre as nuvens.
- O que é isto, Puraido?
- Essa é a minha Damocles, e o nosso futuro.
- Eu não tenho futuro. – afirmei sentando-me e encostando – não tenho sequer uma razão para estar vivo.
Umas criaturas negras surgiram do nada, e com as suas mãos enormes me prenderam, levantando-me a cabeça e forçando-me a fitar o rapaz nos olhos.
- Hoje é o último dia, do resto da tua vida.
As intenções dele atingiram-me como um raio.
- NÃO! Puraido! – bradei desesperado – Proíbo-te!
- Não aguento ver-te assim com dores Selim – replicou Seiji enquanto a sua cara se recolhia num esgar de dor.
- Pára! PÁRA!
– Soumanai, onii-san.
Tive consciência da minha perda, enquanto todas as minhas memórias eram apagadas a reescritas. A última soou como a voz do meu pai.

“Não há causas perdidas, Selim, enquanto restar alguém que lute por elas”





Última edição por Annatar em Sab 19 Fev - 12:48, editado 2 vez(es)
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Luffy

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MensagemAssunto: Re: Filler 4 - Lapis Philosophorum   Sex 12 Nov - 18:13

Nice. O Selim perdeu toda a memória.

Quero ver o que vais tirar daqui Smile
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