O exterior da casa tinha a tinta a descolar-se e algumas persianas que pareciam estar seguras por um singelo prego. A sala de estar correspondia na perfeição ao exterior – paredes altas, cobertas de um papel de parede a sair e que estava tão desbotado que quase não tinha cor, cortinas de renda que tinham aspecto de se esfarraparem assim que se tentasse limpá-las e peças de mobília exageradamente acolchoadas e que, a julgar pelos buracos, há muito que eram o domicílio de várias gerações de ratos. No entanto, o mais estranho nesta divisão era o enorme espelho. Estava ornamentado com as mesmas figuras douradas que estavam na porta de entrada e tinha aproximadamente a altura de uma pessoa, rivalizando com o papel de parede pelo lugar nesta. Estranhamente, era a única coisa nesta divisão que não estava coberta em pó. Kosshi olhou para uma mesa comprida. Em cima tinha uma taça cheia de ameixas. Aproximou-se e pegou numa delas. Não comia desde o fim da manhã, por isso simplesmente tirou uma, limpou o pó à sua camisa e meteu-a na boca. Ia trincar, mas depois sentiu uma textura diferente… algo… peludo? Rapidamente cuspiu o que tinha na boca e limpou logo a língua assim que viu umas patinhas a fugir. Michael riu-se ao ver Kosshi matar o pobre rato com um shuriken. ─ É o que faz pegar na comida dos outros. O outro ia responder quando algo tomou a sua atenção. ─ Que cheiro é este? ─ Questionou Kosshi enquanto olhava para Michael. ─ Ei, não olhes para mim! Não fui eu! ─ Defendeu-se o outro.
Só dois?! Só estes dois shinobis é que vinham? Desta vez aquele homem tinha subestimado todo o seu trabalho. Não importava. Não agora que eles já estavam dentro da casa. O jogo ia começar.
E agora que se aproximavam de umas escadas, aquele fedor estava a intensificar-se – e a tornar-se mais familiar. Aproximou-se à cautela. Sim, lá estava o trinco, propositadamente disfarçado no vão das escadas. Mudou a posição do seu corpo, de modo a que a luz que provinha daquele velho candeeiro pendurado no tecto pudesse iluminar o interior quando abrisse a porta e… ─ Olha que porra. ─ Disse Michael enquanto cobria o seu nariz com a mão. ─ Encontraste alguma coisa? ─ Perguntou Kosshi, atravessando o vestíbulo para se juntar ao ruivo. Empurrou a porta um pouco mais para que pudessem ambos ver para dentro. E foi então que o Kaguya viu o cadáver parcialmente comido, e não só pelas larvas. ─ Então é assim que as ratazanas sobrevivem. ─ Comentou sordidamente. ─ Ao menos já sabemos o que fazer quando ficarmos sem mantimentos e sem ratos… O outro olhou-o enigmaticamente. Esperava que ele estivesse a gozar. ─ Será um dos desaparecidos? ─ Questionou Michael, numa pergunta escusada ao ver que o seu colega pensava o mesmo. Ponderou um pouco. ─ Se for, não sei se quero saber o que se passa nesta casa?
Subitamente um grito agudo fez-se ouvir pelas paredes velhas. Os dois shinobis entreolharam-se. Ambos pensaram que seria da rapariga que estaria algures perdida na mansão. Concluindo isso, começaram a correr na direcção do som. Chegaram à sala onde estavam há uns minutos atrás, no entanto a disposição dos móveis tinha mudado e luz estava apagada. Olharam para todos os lados, mas não havia sinais da rapariga. Ao contrário de tudo o resto, o espelho do fundo da sala continuava no mesmo lugar, incólume. O som vinha daqui, disso tinham a certeza. Do outro lado da sala, opondo-se ao espelho, encontrava-se uma porta. Algo que não estava lá antes. Kosshi aproximou-se dela. Rodou a maçaneta, mas ela não se mexeu. Depois, uma ténue luz chamou o rapaz à atenção. Provinha da fechadura e era tão morta que nunca veria caso a sala estivesse iluminada como anteriormente. No entanto, essa fraca luz conseguia de alguma forma reflectir-se no espelho. Michael viu algo no espelho a mudar. A misteriosa luz estava a desenhar uma forma estranha. Parecia um buraco, no entanto com uma forma única. Sem saber porquê, Michael pegou num pisa-papéis que estava na mesa comprida. De súbito o rapaz atirou o objecto com força contra o seu alvo. Olhou atónico para o espelho quando verificou que nada tinha acontecido além do desaparecimento do pisa-papéis. Ouviu uma estranha crepitação. Um zumbido. ─ Michael! Não teve tempo de responder. Uma espécie de tecido forte envolver-lhe repentinamente a cabeça e o tronco. Não conseguia vê-lo. Os dedos não conseguiam senti-lo. Mas parecia uma teia feita de raios e arames que lhe trespassavam a pele e apertavam até lhe comprimir os pulmões e estrangular a garganta. O coração retumbava-lhe nos ouvidos, enquanto se debatia na tentativa de respirar, enquanto se debatia na tentativa de se manter vivo. Ouviu o seu colega rosnar de raiva a frustração. Depois o som de vidro a partir-se inundou o seu discernimento. Ainda com a visão enublada viu que tinha sido Kosshi a quebrá-lo com um dos seus ossos. De repente, o tecido desaparecera e podia respirar novamente. ─ Pelos Deuses. ─ Arquejou. ─ Estás bem? ─ perguntou o Kaguya. Não. ─ Sim. Fogo, aquilo doía como tudo! Estava caído no cão. Não se lembrava de ter caído. ─ Reflexão. ─ Disse, crispando-se ao engolir. ─ O espelho deve ter reflectido o meu ataque. ─ Mas não o meu… ─ Concluiu Kosshi. ─ Não… não o teu. Qual a difer… ─ Michael calou-se ao ver o que estava a acontecer à sua frente. Os estilhaços que estavam no chão foram iluminados pelo candeeiro que se ligara sozinho. A luz reflectida posou sobre o espelho que ainda se erguia glorioso naquela sala... e nele a luz reorganizou-se, como que com vida própria, formando letras… e palavras… e frases. “O inverso ou somente o que realmente somos. Um mistério sem resolução aparente. Porque aquilo que lá entra nada mais é do que somente isso. A chave. Um jogo de inversos e reversos.“
Última edição por DeathWhisper em Sex Jun 25 2010, 15:34, editado 1 vez(es)
Amaterasu
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Assunto: Re: [F3] E a diversão começa... Sex Jun 25 2010, 14:46
Mistery (hoho)
Mais um exclente filler.
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Luffy
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Assunto: Re: [F3] E a diversão começa... Sex Jun 25 2010, 15:21
Grande filler. Esta saga é só mistérios e tal, estou a gostar bastante.