Na floresta, perto de Kirigakure…
- Está um bom dia para treinar. Que dizes a um treino, Tsurugi?
- Acho bem.
Os dois caminham para o centro da floresta onde não existem árvores, apenas campo.
- Acho que tenho uma ideia Rai, que dizes jogarmos á apanhada? Mas não é bem à “apanhada” porque isto não vai ser assim tão simples. O treino só acaba quando tu chegares a tua casa, mas não vai ser fácil pois eu vou tentar impedir-te custe o que custar. Já agora enquanto treinamos toma isto. É um scroll que acho que devias dar uma olhadela, pode te ajudar em várias coisas. – Tsurugi atira-me um scroll pequeno. - A partir de agora, dou-te 15 segundos de avanço, Vai!
Eu agarro o scroll e ponho-o no bolso muito rapidamente.
Eu saio da área do campo e dirijo-me às árvores mais próximas, eu apresso a minha corrida e salto para um tronco das árvores depois olho para trás. O corpo de Tsurugi aparece lá bem a trás, dificilmente o vejo por causa das folhas na sua frente. Eu desvio o meu olhar de Tsurugi e salto de árvore em árvore em direcção á minha casa que ainda estava bem longe.
De repente, Tsurugi surge duma árvore a uns metros perto de mim em grande velocidade.
- Dynamic Entry! – Ele grita no ar com a sua perna apontada á minha cabeça.
A sua voz chamou-me á atenção, eu viro rapidamente o meu olhar e olho o seu pé prestes a acertar-me. Eu dobro as costas e ponho as mãos na árvore, conseguindo por o meu corpo em forma de ponte, conseguindo me esquivar do seu ataque. Eu vejo Tsurugi a passar por cima de mim em grande velocidade, e em seguida ele desaparece nas árvores. Eu me levanto e continuo a saltar de tronco em tronco em rumo a minha casa.
- Phew, essa foi por perto… - Eu retiro o scroll do bolso que Tsurugi me tinha dado e abro-o com cuidado, com medo de que possa ser uma armadilha de algum tipo. – Cuidado a ter nunca é demais…
Eu seguro o scroll com as duas mãos e diminuo os meus passos enquanto leio as escrituras do pergaminho e, ao mesmo tempo olho as árvores no meu caminho.
- Suiton: Mizuame Nabara? – Eu leio com curiosidade o pergaminho e reparo que o scroll era um scroll de novo jutsu, que continha selos de mão, … - Estou a ver…
Eu memorizo os selos de mão do jutsu e olho para trás para verificar se Tsurugi tinha perdido o meu rasto. Só vejo árvores e começo a pensar que Tsurugi já está a ficar velho. Eu salto da árvore para baixo guardo o scroll no bolso, paro de correr e começo a andar no caminho.
De repente ouço a voz de Tsurugi por trás de mim.
- Suiton: Mizuame Nabara! – Tsurugi fica ali em pé, fazendo o selo de tigre com as mãos e em seguida cospe uma substância líquida pegajosa.
Eu viro-me rapidamente e recordo-me daquelas palavras que acabo de ouvir, eu vejo-o a cuspir aquele líquido, tal como as escrituras do scroll explicavam. Eu tento fugir, mas depois apercebo-me de que o liquido já está sobre os meus pés. Eu tento levantar os pés, um por um, mas mesmo assim não consigo. Tsurugi não diz nada, apenas olha-me como se eu fosse seu inimigo.
- Que faço agora…- Eu penso nervosamente.
Tsurugi tira uma kunai do seu cinto e atira-a contra mim, em direcção á minha perna direita. Eu fixo o olhar na kunai e abro os olhos bem abertos, eu desato os atacadores das minhas botas e dou um salto mortal para trás, deixando as botas ensopadas naquele líquido pegajoso. Enquanto estou no ar, virado ao contrário, eu sinto a kunai ao passar pelo meu cabelo, conseguindo cortar alguns fios de cabelo. Eu aterro na terra de pés descalçados, longe daquele líquido pegajoso conseguindo ver os fios de cabelo pela terra. Eu continuo a correr em direcção a minha casa pelo caminho, Tsurugi faz um sorriso e continua a seguir-me. Os pés descalçados dificultam a minha corrida, eu olho para traz e vejo-o a aproximar-se.
- Porra.
Eu viro-me para trás, faço um único selo com uma mão no ar muito rapidamente e concentro:
- Kirigakure no Jutsu! –
Uma vasta névoa cobre a atmosfera onde Tsurugi e eu nos encontramos, a espessura da névoa é aumentada pelo chakra e líquido viscoso do chão. Eu viro-me outra vez e continuo a correr com os pés descalços, eu levanto os braços enquanto tento sair da névoa á procura do brilho do sol. Tsurugi continua a perseguir-me, embora o nevoeiro esteja a diminuir sua velocidade. Após uma longa corrida e já com os pés a sangrarem ligeiramente devido às pedras, vejo a minha casa de longe, o nevoeiro começa a desaparecer e Tsurugi já não está atrás de mim. Eu começo a rir de satisfação, desejando o fim deste treino infernal.
- Estou quase lá…
De repente, enquanto vejo a névoa desaparecer lentamente, um senhor idoso aparece no caminho a poucos metros á minha frente, a acenar-me.
- Estranho… - Pensei.
Quando chego perto do velho, ele pergunta-me se preciso de ajuda. Eu ignoro o velho e continuo a correr pelo caminho. A minha casa aproxima-se da minha vista, de repente a minha mente fica branca, e o meu corpo pára ao mesmo tempo.
- O que é isto…-
De repente vejo Tsurugi, do nada, ele atira-me uma kunai á cabeça. A kunai perfura-me na cabeça, eu grito em dores. O sangue escorre em grande quantidade, depois a minha visão volta a recordar-me do mesmo, outra vez e outra vez. E agora me apercebo…
- Genjutsu?! – Eu penso muito nervosamente, enquanto a minha visão me mostra Tsurugi a matar-me vezes sem conta. – Tsurugi! – Eu grito muito alto, nervoso.
Eu tento-me acalmar e faço o selo de tigre, em seguida eu paro o meu fluxo de chakra e liberto-o depois, em simultâneo. O que tentava efectuar falhou, o meu chakra não se compara ao do Tsurugi.
- Parece que não me vou conseguir livrar deste Genjutsu...Porra,quando é ele conseguiu efectuar o Genjutsu em mim? O velhote d’abocado, Tsurugi…eras tu.
Eu concentro-me mais um bocado, e efectuo o Genjutsu no Kai. Eu levanto a mão com dificuldade e concentro-me na forma de anular o genjutsu que já tinha efectuado no passado. Usando todo o meu chakra nesse jutsu de anulação, consigo fazer desaparecer o Genjutsu, recuperando a minha vista pura de novo. Eu corro para casa, que já se encontrava a poucos metros de mim.
Finalmente chego a casa, vejo Tsurugi lá sentado numa cadeira a olhar para mim com um sorriso.
- Bom trabalho. Aqui estão as botas. - Ele diz a rir, levantando as mãos que seguram as botas todas molhadas num liquido pegajoso.