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E o ciclo da vida repete-se! As pacíficas vilas voltam a unir-se para combater um mal em comum. Vem conhecer o melhor e mais antigo role play de Naruto, totalmente em português.
 
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 Episódio 04 [Filler] Não existe amor na casa Hyuuga

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Stara

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MensagemAssunto: Episódio 04 [Filler] Não existe amor na casa Hyuuga   Dom 26 Nov 2017 - 19:47

Spoiler:
 

*
Hyuuga Fujiwara

A cabeça latejava como se demônios tivessem atravessado a madrugada numa bacanal com seus neurônios. Sem piedade, e com alguma dose de sadomasoquismo. Porque era mesmo bem conveniente ser um homem de trinta e poucos anos e ainda acordar com aquela ressaca infernal por conta de umas doses a mais de sakê. Fosse um adolescente e tudo estaria em seu lugar... Mas, modéstia à parte, com o seu nível de experiência? Devia mesmo era estar ficando velho para a coisa.

Outro rompante intenso de batidas na porta o lembrou de súbito por que ele havia acordado. Àquela hora da manhã, logo no seu dia de folga? Isso não vai sair barato..., a ameaça trespassou sua cabeça dolorida. Com os pés empurrou o fino tecido que cobria seu corpo e se sentou na cama, os movimentos lesados, a visão meio tortuosa. Apalpou o chão às cegas, procurando a garrafa d'água que tinha colocado ao lado da cama, quando novamente o som de batida estilhaçou em seus ouvidos ainda excessivamente sensíveis por conta da ressaca.

- Diabo... - murmurou, gritando em seguida: - Já vai!

Com a garrafa bem segura na mão, cambaleou até a porta num andar preguiçoso, para recepcionar a alma penada que vinha cobrar o resto do seu ânimo de vida. Sua feição, carregada de um esgar emburrado, de criança a que se tinha tomado uma guloseima saborosa, desfez-se instantaneamente ao se ver frente a uma Lyn ofegante, o semblante demasiado sério. Ela era uma das poucas pessoas do clã Hyuuga por quem Fujiwara nutria apreço. Atrás dela, outra garota, mais nova, fitava-o com impostura, os olhos negros recendendo a qualquer coisa de ameaçador.

- Precisamos de sua ajuda, Fujiwara - disse a Hyuuga, urgência em sua voz. - Tentei pensar em outras alternativas, mas não tem. Me desculpa, mas não tem...

Fujiwara suspirou. Não tinha a menor ideia do que se tratava, mas as desculpas eram uma alusão demasiadamente descarada. Convidou-as para entrar. Ia ouvir.

*

Três dedos tamborilando sobre a mesa - anelar, médio, indicador, anelar, médio, indicador -, o compasso frenético, às vezes se rompendo apenas por um segundo para prosseguir com mais força depois, quase raivoso, quase punhalada. O corpo lasso sentado na poltrona, os membros diligentemente desalinhados. A cabeça caía sobre um punho permitindo que os dedos brincassem de enrolar os fios do cabelo castanho. O outro braço se distendia largado sobre a mesa à sua frente. Os três dedos galopando. A paciência do homem já havia se esgotado fazia alguns minutos. Seu olhar frouxo mirava com preguiça os homens velhos diante de si. Era, na realidade, e sem dissimulação, uma atitude, uma explicitação intencional de impaciência. Do quanto aquelas figuras o enervavam profundamente. Fujiwara nunca foi criatura de meias palavras. E quando se tratava do grande panteão da casa Hyuuga, a situação tinha sempre uma inescapável conotação pessoal.

De início, Fujiwara resistiu a se envolver naquela história, que com ele nada tinha a ver. Passara toda sua vida adulta restringindo ao mais imprescindível seu contato com o clã, e arranhava bastante seu ego ter que abrir mão dessa distância laboriosamente construída em função de um rapaz desconhecido. Mas Lyn fora incisiva: caso ninguém interviesse, o garoto, Kamus o nome?, estaria em séria enrascada. Sem levantar o menor sinal de suspeita, o pequeno tinha simplesmente empacotado suas coisas e fugido da vila em direção ao País do Rio, motivado por uma carta misteriosa. Seu descuido e displicência tinha sido seu sucesso. A imagem, aliás, divertia Fujiwara à beça. Durante seus anos de juventude, frustrado até o último fio de nervos com a vida em Konoha, ele tinha passado meses planejando sua própria fuga, um erro sem precedentes que gerou apenas mais conflitos e tristezas para si. Já o outro tinha apenas se deslocado confortavelmente pelo portão da vila, sem o menor preparo prévio. Tinha que admitir, o garoto devia ter lá o seu charme. Mas sua situação diante do clã era delicadíssima: caso Fujiwara demonstrasse não poder colocar o problema sob controle, se não garantisse a segurança do rapaz - e do seu byakugan, o real problema daquele drama que poderia resultar em tragédia - os anciãos consideravam ativar o selo maldito que mataria o garoto e destruiria o doujutsu.

A sorte era que Hyuuga Fujiwara sabia que um antigo colega de missões, Ikuza, estava peregrinando pelas redondezas fronteiriças entre o País do Fogo e o País do Vento. Por isso, na mesma manhã em que Lyn e Irina, a amiga íntima do garoto, o convenceram a ajudar, ele enviou um falcão pedindo a Ikuza que encontrasse e cuidasse do pequeno enquanto ele próprio não o alcançava. Depois de longa e exaustiva discussão com o conselho do clã Hyuuga, eles decidiram aguardar antes de tomar qualquer atitude precipitada, na esperança de que Ikuza enviasse boas notícias.

*

O aviário de Konoha parecia um projeto de monastério quando o rasante do gavião cortou o silêncio fúnebre do lugar. O grupo de homens velhos do clã Hyuuga se agitou, as rugas dos olhos alvos se retraindo sob o balançar dos cabelos longos e grisalhos. Fujiwara se levantou, agradecendo o fim daquela inércia excruciante. Acariciou o pescoço da ave enquanto ela espreguiçava as asas, já pousada no poleiro. Retirou um pequeno pergaminho incrustado num acessório às suas costas e o abriu ali mesmo.

Encontrei o garoto. Fiz com que ele decidisse me acompanhar sem provocar demasiadas suspeitas.
Estamos a caminho de Suna, onde por hora tudo ficará mais seguro.

Ass.: Ikuza.

Leu a carta em voz audível e virou-se para a mesa atrás de si, onde se sentavam num silêncio rígido os conselheiros do clã Hyuuga. O que diria àqueles rostos sisudos? Sabia que naquele instante uma palavra errada poderia significar a vida do garoto. Não havia nada garantido. A decisão de Ikuza de ir diretamente para Suna indicava a existência de alguma ameaça que ele, sábio, preferira calar na carta. O único sentimento que aqueles homens idosos deviam nutrir era um misto de ódio e menosprezo absoluto pelo garoto bastardo, cuja atitude estava a estorvar a organização de seus mundos. Além disso, o despeito engendrado naquela fuga repentina fustigava o orgulho do clã, e isso se manifestava numa reação nada barulhenta - embora meticulosamente violenta em seu silêncio - de desvalorizar a vida do outro. E estava mesmo devidamente legislada, perante o próprio clã e as políticas de Konoha, a autoridade e o controle absoluto que aqueles velhos tinham sobre a vida e a morte em um caso como o do Kamus.

Fujiwara percebeu, num fremir de seu peito, que a situação do menino era incontáveis vezes mais delicada do que a sua, à época da sua própria tentativa de fuga. Embora tivesse uma personalidade pouco admirada no interior do clã, ele nunca se viu afastado de seu conforto de pertencer à família principal do clã Hyuuga, e desde cedo conquistara respeito por sua habilidade invejável. Tudo isso alavancava o modo como sua vida era considerada e ponderada. Kamus, por outro lado, não desfrutava de nenhuma dessas condições. Era tanto um bastardo no sentido mais forte do termo, pertencente à camada menos relevante da família secundária, quanto um portador do byakugan de sangue não meramente "impuro", mas irrastreável. Sua vida era insignificante para eles. Não havia porquê colocar a linhagem em risco em favor dela. Os valores ali eram claros. E no entanto Hyuuga Fujiwara tinha suas próprias armas.

- Os senhores conhecem bem a minha história neste clã - foi quase um ralhar. Espalmou a mão direita sobre a mesa, com impostura, antes que eles pudessem tomar a palavra. - Sabem do sofrimento que passei por causa da minha própria imaturidade e impertinência na juventude. Sabem da humilhação que continua a impedir minha reconciliação com o clã, mesmo tantos anos depois... - pausou por um segundo, se contendo para que sua fala não explodisse em sarcasmo. - Pois esta é a minha chance de redenção. Deixem que eu resgate este garoto e mostre a ele o lugar onde sua reverência deve repousar. Deixem que a minha experiência pródiga ilumine esta nova geração. - Os velhos começaram a balbuciar entre si, as faces intensamente confusas. Fujiwara não aguardou eles se organizarem; queria colocar de vez todas as suas cartas na mesa e acabar com aquela firula exasperante. - Eu tenho uma coleção de amigos jounins que se sentiriam honrados em me acompanhar em cada detalhe desta missão - o tom indiferente continha qualquer coisa de provocante que fisgou uma hesitação na contenda dos Hyuugas.

Fujiwara recolheu sua voz e aguardou a decisão tentando esconder sua ansiedade. A resposta não demorou a ser tomada: "tendo em vista a contingência de interesses que atravessavam a situação, parece ser pertinente permitir esse resgate". Uma baboseira assim. Fujiwara expirou uma dose enorme da tensão que carregava seu corpo, o alívio fazendo seus ombros cederem ao peso que ele tinha se imposto.

- Obrigado por serem tão prestativos em considerar a vida deste garoto - disse num esgar de reverência, louco para retirar-se daquele lugar. - A partir de agora, a situação dele está sob a minha responsabilidade.

Fujiwara era também criatura de meias palavras, fique bem dito.




Última edição por Stara em Seg 27 Nov 2017 - 18:20, editado 1 vez(es) (Razão : Sem razão especificada)
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MensagemAssunto: Re: Episódio 04 [Filler] Não existe amor na casa Hyuuga   Dom 3 Dez 2017 - 8:17

É bom saber que o NRPG tem assim um ESCRITOR "como deve ser"! Lamento não ter estado atento aos fillers ultimamente. Após ter passado um tempo este filler parece-me quase um flashback...

xd
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Stara

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MensagemAssunto: Re: Episódio 04 [Filler] Não existe amor na casa Hyuuga   Dom 3 Dez 2017 - 17:41

Pois é... é bem nostálgico, dá uns feelings, até por causa dessas citações ao Ikuza (aquela época foi boa)... aliás, fiquei triste por ter perdido o desenvolver da narrativa do Senshou. Assim que baterem as férias vou ver se resgato isso e dou uma olhada na Artemiza ;B
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MensagemAssunto: Re: Episódio 04 [Filler] Não existe amor na casa Hyuuga   Sex 18 Maio 2018 - 1:36

Gostei desse filler Stara, seu descritivo para comentar a ação do personagem está de parabéns, a carta também gostei do que estava escrito.

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Dorou

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MensagemAssunto: Re: Episódio 04 [Filler] Não existe amor na casa Hyuuga   Sex 18 Maio 2018 - 2:05

aaah que deleite em palavras hahaha filler longo, mas mal se vê a passagem dos parágrafos. Acho que é a partir desse que eu vou acompanhar tua história! Que profundidade esse Fujiwara tem, um personagem bastante interessante. Minha primeira impressão foi de um homem indiferente, mas no final da pra ver que é um homem bom, diferente do alto calão dos Hyuuga. 
E esse título <3 Percebi a referência só de ver o nome do tópico na lista dos novos comentários. Criolo, eu te venero \o/
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Stara

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MensagemAssunto: Re: Episódio 04 [Filler] Não existe amor na casa Hyuuga   Sex 18 Maio 2018 - 4:47

Criolo é lindeza demais, a letra da música nem tem nada a ver com o capítulo, mas não dá pra desperdiçar essas oportunidades de espalhar as palavras dele hahahaha

o Fujiwara é um cara super ranzinza, mas uma pessoa muito massa. queria ter criado um tom ainda mais marcante pra ele, mas enfim, foi isso o que saiu, e que bom que gostou mesmo assim Wink valeu pelo comentário, os dois.
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