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E o ciclo da vida repete-se! As pacíficas vilas voltam a unir-se para combater um mal em comum. Vem conhecer o melhor e mais antigo role play de Naruto, totalmente em português.
 
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 Episódio 02 [Filler] A flor, afinal, numa palma gentil

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Stara

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MensagemAssunto: Episódio 02 [Filler] A flor, afinal, numa palma gentil   Qua 15 Nov 2017 - 6:41

Spoiler:
 


*
Uchiha Irina

Porque um beijo não faz a medida de todas as coisas. Um punho fechado, por outro lado, põe sempre um lastro naquilo que se faz, de partida, imensurável. E Uchiha Irina era mesmo da raça das que ponderam a vida nos nós dos dedos. Não tinha piedade pelas próprias dores, não fazia economia com os próprios prazeres. O medo era apenas um fissura longínqua na ideia que tinha de mundo.

A garota era filha das ruelas e guetos de Konoha. Foi educada pela fome, em primeiro lugar. Levou muita porrada até aprender a árdua malandragem do corpo - até se tornar temida como a demônia das mãos ladinas entre os feirantes, ou como a criatura de punhos ferozes entre as crianças com quem disputava lugar. E não deixou que houvesse sossego por onde passava. Lançada nessa realidade, ela atravessou a infância e puberdade em ímpeto predatório, selvático, se fartando nas pequenas devassidões e libertinagens que só encontram habitação nessas regiões menos controladas do universo urbano.

Tinha por volta dos treze anos quando foi recolhida pelas autoridades da vila e devidamente entregue aos remanescentes do clã Uchiha. Não só o despertar do Sharingan, mas a tomada de consciência sobre suas habilidades, chamaram demasiada atenção sobre ela. Hiperativa e indomesticada, ela resistiu com todas as suas forças a ser assimilada; tentou escapar incontáveis vezes, e só desistiu da fuga quando percebeu, nos olhares de desprezo lançados por seus ex-amigos de gueto, que ela não era mais bem vinda nas ruas. Mas ainda assim, nunca entregou sua pertença ao clã Uchiha; nunca vestiu seus trajes, nem assumiu sua identidade sem uma dose pesada de desconfiança. Era áspera, intratável. Não era pedra que se roesse.

Embora fosse desinibida e não tivesse dificuldade para se relacionar com quem quer que fosse, eram verdadeiramente raras as pessoas com quem ela mantinha contatos duradouros. Kamus era um dos únicos que saltava à mente sem hesitar. Lembrava-se ainda do dia em que travara o primeiro contato com ele, há anos. Tinha furtado-o. A ironia era boa demais e, mesmo tanto tempo depois, não se arrependia nem por um milímetro; ao contrário, era-lhe quase um orgulho. Uma amizade surgida nessas condições tinha uma dignidade impagável, com toda a força do termo.

Só agora, com seus dezessete anos recentemente completados, é que começava a dar sinais de que o amadurecimento imputava algum tipo de comedimento em suas impulsões. Aprendera, afinal, observando a vida de seu amigo Hyuuga, que às vezes uma postura um tanto mais cautelosa dava sempre para provocar mais efeitos, dependendo do substrato social com que se estava lidando. Porque lidar com os moleques da rua ou da Academia era, em todo caso, muito diferente de lidar com o universo que se abriu a ela desde que foi inserida na esfera das tradições tribais, familiares e sociais.

Mas a vida, afinal, é sempre mais do que essas coisas. Ela sabia muito bem. Do topo de um edifício, sentada na quina do telhado, virada para a cena que se desenrolava lá embaixo, Rhina sabia. Tinha consciência. Corpos impronunciáveis, tudo isso que acontece na vida mas não se encontra em palavras. A feição distante dava a impressão de que estava a diluir seus pensamentos no horizonte da vila, mas, com efeito, ela prestava cuidadosa atenção num ponto fixo: o tatame do Clã Hyuuga, onde seu amigo estava a treinar pela primeira vez na vida. Em pé, ao seu lado, Hyuuga Lyn explicava a situação. Era uma jovem veterana e sensata, que tinha plena consciência da condição delicada de Kamus, mas foi frustrada em sua primeira tentativa de ajudar o garoto a se "enturmar". Por trás do corpo inclinado da menina Uchiha, espiando o vermelho magnetizador de seu cabelo curto, ela falava continuamente:

- Tive sorte de te encontrar. Desde o início do treino eu pressenti que eles iam tentar pregar uma peça no Kamus. É o calouro desajustado do clã, é claro que precisava ser batizado. Mas o garoto também não colabora, viu. Ele me atacou, eu perdi a cabeça, e agora estou aqui, expulsa do treino, do jeitinho que eles queriam. - Parou por um instante, fitando com raiva o grupo de ninjas que treinava lá embaixo. - Fique atenta, vai dar algo errado com toda certeza. Se não intervirmos, é bem capaz de eles ferirem bastante o teu amigo.

Rhina sabia disso desde o dia anterior. Era óbvio, até. Viera por precaução, mesmo sem avisar ao Kamus.

Sabia, e seria impiedosa.

*
Hyuuga Kamus

Um odor delicado pinica o nariz e o faz piscar. Na mente, as imagens vagas dos ataques de Juuken que lhe picaram o corpo e da explosão de fogo que surgiu por cima de tudo. Apesar de tonto, ele sabia do que se tratava.

- Afinal, as flores...

- Kamus, seu desgraçado filho duma... - era Rhina.
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MensagemAssunto: Re: Episódio 02 [Filler] A flor, afinal, numa palma gentil   Ontem à(s) 23:28

Me interessou a história da garota, essas mudanças de personalidade em função do meio, de uma situação do mundo que se assoma impiedosamente, é uma constante em nossas vidas. Me diverte analisar diferentes situações interpessoais hipotéticas, de fundo mais trivial possível. Portanto, continue, por favor.
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